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Instalação – Noções Básicas

11/07/2013

As instalações de nossas aves precisam ser cuidadosamente pensadas, caso desejemos obter bons resultados em sua manutenção e criação.

Ao contrário de coelhos, hamsters, cachorros e gatos, que criam em praticamente qualquer condição, face ao grande tempo de manutenção em cativeiro, a maioria das aves mantém-se selvagem, necessitando de um ambiente que reproduza em parte o meio ideal no qual a espécie viveria e se reproduziria na natureza.

A compreensão desse fato é uma das chaves do sucesso do Avicultor.

O primeiro ponto a ser observado, é o fato de que as aves possuem asas, e por isso, voam. Assim como um peixe deve ter espaço para nadar, e um cavalo deve ter espaço para correr, qualquer ave em cativeiro precisa de espaço para voar, então, a gaiola deve permitir isso.

Em casos de aves mantidas como animais de estimação, geralmente dóceis, como é o caso de muitos psitacídeos e tucanos, se for permitido que a ave tenha 2 momentos de vôo livre por dia (1 hora cada um no mínimo), basta apenas que a gaiola seja ampla para permitir livre movimento. Nesses casos recomendo tranquilamente para um papagaio cinzento uma gaiola pré fabricada de 60 cm de comp, 45 cm de largura e 80 cm de altura, que serve perfeitamente. Observando essas medidas, e tomando em conta a devida proporção, facilmente o dono de uma arara ou tucano saberá também que medidas deverá ter o gaiolão para sua ave.

Mas, para aves não acostumadas a vôos livres, provavelmente não domesticadas, que constituem 99% do plantel de um criador, se faz necessária a construção de gaiolas que permitam o vôo.

A experiência me ensinou que esse espaço não precisa ser tão grande assim, e ainda pode ser potencializado, substituindo elaborados poleiros que ocupam toda a gaiola, por dois poleiros simples bem afastados um do outro, incentivando o vôo. Pois, caso os poleiros sejam em abundância ou um só poleiro ramificado que ocupa boa parte da gaiola, como comumente vejo, a ave não se verá obrigada a fazer exercício, contraindo na decorrência problemas como obesidade e atrofia muscular.

Ainda é importante referir que as aves possuem dois períodos distintos de vida por ano, radicalmente diferentes, criação e repouso, durante os quais possuem exigências diferentes.

Durante a época reprodutiva, a maioria das aves pode ser alojada em gaiolas mais pequenas, isso focará o casal na reprodução, e, o pouco espaço para voar não comprometerá a saúde das aves, visto o esforço que será dispendido na própria reprodução. Terminada a época, as aves devem ser colocadas em grupos em gaiolas maiores, onde então farão sua muda, e repousarão, período esse especialmente crítico para filhotes.

Nessa época é especialmente importante que as aves possam se exercitar, conviver em grupo (em algumas espécies, grupos estão fora de questão) e, face à alimentação que deverá ser especialmente rica, não engordem, pelo que o espaço é essencial.

É também verdade que cada caso é um caso, em termos de gaiolas, e citando o exemplo de 3 diamantes australianos, nomeadamente Mandarim, Starfinsh (Estrela) e Sparrow, vocês verão a que me refiro.

Eu uso gaiolas em formato de bateria de 30 cm de comp, 25 cm de larg e 30 cm de alturas para mandarins, no formato de um poleiro e um ninho de taça, terminada a época reprodutiva, eu retiro a divisória central, e deixo 2 casais com as últimas crias em um espaço de 60 cm de comp, para a época de repouso. No entanto, os Starfinshs não se adaptam tão facilmente a uma gaiola pequena, embora sejam menores, logo, deixo a gaiola sem divisória para o casal reproduzir. Já no caso dos Sparrows, a questão é de saúde, já que em espaços menores de 60 cm, eles engordam rapidamente.

Terminada a época reprodutiva, cerca de 9 a 10 aves de pequeno porte e espécies diversas podem ser colocadas nessas gaiolas de 60 cm de comp, 30 de alt e 25 cm de larg, para a época de repouso.

Também podem ser colocadas cerca de 100 aves pequenas em uma voadeira de 1 m de comp, 60 cm de larg e 60 cm de altura, cabe ao criador escolher.

Mas voltando à época reprodutiva, como dito, cada caso é um caso, e certas espécies funcionam melhor em gaiolas de criação pequenas (ex.: mandarim, manon (bengalim do japão), canários, papagaio cinzento, pombos de raça), já outros devem ficar em gaiolas amplas todo o ano (ex.: forpus, neophemas, alexandrino, moustache, ararajuba, araras, gaios, turacos), outros criam muito melhor em viveiros/ colônia (ex.: a maioria dos conures), e outros necessitam de viveiros densamente arborizados (ex.: rouxinol do japão, zosterops, piscos, pequenos estrildídeos). Sendo que todas as instalações acima citadas se adequam também à época de repouso, à exceção da primeira, que é extritamente reprodutiva.

Aves de chão não precisam de tanto espaço para voar, bastando 2 poleiros altos, que servem perfeitamente para pavões, faisões, patos selvagens e perdizes no geral, mas o espaço de chão deve ser amplo, e anatídeos devem ter água disponível para nadarem. O chão em rede está fora de questão para esse tipo de aves, por ser desconfortável para estas.

Sou, por termos econômicos e de planejamento, absolutamente favorável à construção das instalações, e não à compra de material pronto. Além de sair mais barato, se for você o construtor poderá fazer suas gaiolas do jeito que preferir. E ressalto que elas devem ser práticas, demasiada preocupação decorativa, estética, enfim, “frescura”, só prejudica o bem estar de suas aves, e lhe traz insucesso como criador.

A segunda dica é que ocupe apenas o mínimo espaço necessário, não gaste espaço com viveiros 10 vezes maiores que o necessário para meia dúzia de aves. Quanto mais espaço livre, mais instalações, logo, mais aves, e mais sucesso como criador. Pense grande.

Em seguida, pesquise sobre o habitat e hábitos de suas futuras espécies. Se vai criar diamantes australianos, poleiros simples chegam, na época reprodutiva lembre que sparrows e bavettes engordam, e que starfinshs são demasiado ativos para gaiolas pequenas, e que mandarins machos por vezes estragam os próprios ninhos comprometendo a ninhada, necessitando ser separados, ou até que, saindo do terreno dos diamantes australianos, manons (bengalins do japão) gostam de dormir todos em um mesmo ninho, estragando tudo.

Se vai criar alexandrinos, lembre de seu bico forte, que necessita uma rede forte galvanizada, lembre que eles gostam de roer, na hora de colocar poleiros e ninhos, e você irá dar também espigas de milho e ramadas de pinheiro, para que eles não destruam toda a gaiola.

E se você for criar melros metálicos, não esqueça a vegetação, e de se manter afastado, já que, principalmente se forem importados das antigas, vão implicar com sua presença, apesar de sua natural curiosidade de insetívoros.

Então, cada ave tem seu segredo em termos de alojamento, e só com pesquisa e conversa com quem entende, você descobrirá os detalhes sobre a espécie que você cria.

No entanto é regra geral que todas as gaiolas e viveiros devem ter boa luminosidade, devem estar abrigados de correntes de ar e do frio e humidade excessivos, assim como devem ter uma parte abrigada da chuva, e do calor.

Devem ser o mais limpos possíveis em termos de componentes, já que toda quinquilharia apenas atrapalha, devendo-se limitar a poucos poleiros, comedouros e bebedouros, ninhos, e eventuais ramadas, ou vegetação no caso de viveiros, essa sim, em grande abundância quando necessário.

Também a limpeza excessiva das instalações e acessórios é prejudicial, incomoda as aves e fragiliza seu sistema imunológico, devendo ser apenas o necessário.

Por fim, devemos ter atenção aos tipos de aves não apenas que juntamos, mas também, que colocamos em gaiolas próximas.

Colocar 2 casais de Tentilhões ou Azulões (ambas aves extremamente territorialistas) em gaiolas ou viveiros um do lado do outro, de modo a que possam se ver, deixará ambos os casais nervosos e trará insucesso reprodutivo. Pelo contrário, deixar os casais próximos, mas a certa distância, e de modo a que não possam se avistar, potencializará a chamada “fibra” dos pássaros, e incrementará o instinto de reprodução.

Colocar em um viveiro misto de pequenas aves, algum insetívoro de pequeno ou médio porte (como um Rouxinol do Japão), deixará as pequenas aves granívoras inseguras, visto estes primeiros serem frequentes comedores de ovos dos ninhos dos granívoros.

Do mesmo modo, deixar gaios, pegas e similares, perto de aves pequenas deixará elas stressadas, e inclusive poderá inibir a reprodução de faisanídeos, visto gaios, pegas, corvos e similares serem comuns predadores de ovos e pintos desse tipo de ave.

Já corujas e falcões devem ser mantidos a boa distância de qualquer outro tipo de ave, já que o piar destes deixa todas as outras espécies alarmadas.

Criadouro Guadiana