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Criação do Tenébrio molitor

20/08/2013

1 – Introdução

- São os maiores insetos que atacam armazéns de grãos, mas não são muito importantes como pragas, sendo dificilmente encontrados em recintos com higiene adequada.

- Fácil controle por meios mecânicos e químicos.

- Preferem grãos moídos e úmidos.

- São encontrados normalmente em lugares pouco movimentados como cantos de paredes, sob a sacaria, em caixas e onde houver alimento estocado.

- Tenébrios podem ser uma excelente opção como isca para pescaria além de ser utilizado para alimentação de animais em criações particulares e zoológicos.

- São consumidas por um grande número de espécies de animais, como aves, tartarugas, lagartos, rãs, pequenos mamíferos e peixes.

1.1 Características

1.1.1 Distribuição

- Ocorre naturalmente em regiões de clima tropical e temperado do planeta.

1.1.2 Nomenclatura

Família Tenebrionidae
Nome científico: Tenébrio molitor

1.1.3 Predadores

- Predadores – lagartixas, formigas, ratos (utilizar com cuidado veneno e outras formas de controle).
- Uma armadilha luminosa pode ser útil para o controle de mariposas.

1.2 Valor Nutricional

Estágio   -  Matéria seca %  – Umidade % - Proteína bruta % - Gordura % - Cinzas % - NFE %
Larva      -        43,05                    56,95                    48,31                  40,46             2,92          8,31
Pupa       -        38,39                    61,61                    55,30                  36,54             3,27          4,89
Besouro -         42,10                    57,90                    59,43                  28,33             3,16          9,08

                                           Grilo                  Tenébrio                Tenebrio gigante
umidade, %             -         69.07                    62.44                             59.37
gordura, %              -           6.01                     12.72                             17.89
proteína, %             -          21.32                    20.27                             17.41
fibra, %                    -            3.2                       1.73                              6.80
Cinzas, %                 -          2.17                      1.57                               1.20
Ca, ppm                   -           345                       133                                124
P, ppm                     -         4238                     3345                              2320
Relação Ca/P, %    -          0.081                    0.040                             0.053

2 - Manejo Animal

2.1 Fazer anotações e registros nas caixas.

- Fase da criação
- Número da caixa
- Data de início
- Número inicial
- Composição da ração

2.2 Caixa de criação

- De plástico, medindo cerca de 55cm de comp. x 25cm de alt. e 35cm de larg.

2.3 Cobertura

- Animais noturnos
- Colocar algumas folhas de jornal para servirem de abrigo para os insetos
- Não utilizar panos, carpetes ou estopas, pelo risco de contaminação.

2.4 Manejo

- A caixa não deve ter seu substrato revirado. Apenas se for verificada presença de mofo ou se já tiver sido totalmente consumido é aconselhável à troca de substrato.
- Utilizar peneira para separar as larvas e uma boa proteção para olhos, pele e sistema respiratório. As sobras de ração são uma excelente fonte de micotoxinas provocam graves alergias (Aspergilose) e até doenças mais graves como o câncer.
- Para separar as larvas do farelo basta colocar folhas de jornal dobrado no recipiente que as larvas tendem a entrar no interior podendo ser assim transferidas.
- Superpopulação nas caixas pode provocar canibalismo, principalmente se não houver alimento e umidade suficiente.
- É importante introdução rotineira de sangue novo no plantel, através da aquisição de animais de qualidade em outros criadores. Ou iniciar a criação com um plantel muito grande e variado, para não haver necessidade de introduzir novos animais.

2.5 Sistema de produção

- Todos os besouros devem ser coletados e colocados numa caixa com cerca de 5cm de ração. Colocar o máximo de besouros possível.
- Talvez seja melhor fazer a coleta de pupas em caixas com larvas adultas. As pupas podem ser devoradas pelas larvas. Fases devem ser separadas
- Após 30 dias, essa ração é peneirada e os besouros passam para uma nova caixa.
- A ração peneirada contem ovos e larvas pequenas. Não adicionar mais ração (5cm)
- Após 2 semanas todos os ovos terão eclodido (ração se mexendo). Com mais 30 dias terminam a fase 1 (1cm), mais 30 dias a fase 2, mais 3 dias transformam-se em pupa.
- Adicionar mais ração somente quando parecer necessário.

3 – Aspergilose

- A aspergilose é uma infecção causada por qualquer uma das numerosas espécies do gênero Aspergillus que abriga mais de 300 espécies, sendo a maioria das infecções em humanos determinada pelo Aspergillus fumigatus e ocasionalmente pelo Aspergillus niger, Aspergillus flavus, Aspergillus clavatus e Aspergillus nidulans.
- Os fungos do gênero Aspergillus são ubíquos, sendo encontrados praticamente em qualquer ambiente: água, ar e solo. São saprófitos e existem em qualquer lugar onde exista matéria orgânica em decomposição, tolerando condições ambientais extremas.
- Qualquer pessoa está exposta diariamente aos esporos deste fungo, sendo impossível evitá-lo

3.1  Sintomas e sinais

- Chiado no peito, tosse, escarro sanguinolento e falta de ar.

3.2 Diagnóstico

- História clínica de asma.
- Quadro clínico de pneumonia.
- Reação da pele imediata após injeção de partes do fungo na pele.
- Presença de anticorpos contra o fungo no sangue.
- Presença do Aspergillus no escarro.

3.3 Tratamento

- Empregam-se corticosteróides e broncodilatadores (medicações que dilatam os brônquios), além de droga anti-fúngica específica.

4- Manejo Alimentar

- Se não forem dados alimentos suficientes, pode ocorrer canibalismo: besouros comem crisálidas e larvas comem ovos.
- Alimentos contaminados por fungos atrasam o desenvolvimento das larvas, sendo os mais nocivos o Aspergillus flavus e Aspergillus niger. Tal fenômeno é causado quer pela ação das micotoxinas, quer pela redução da palatabilidade dos alimentos assim contaminados.

4.1 Ração

- 3kg farelo de trigo
- 3kg de ração inicial de aves (ou ração postura aves, ou ração alevino farelada)
- 200g fosfato bicálcio
- 100g levedura de cerveja
- 100g leite em pó
- 10g propionato de cálcio

4.2 – Fonte de umidade

- Colocar a fonte de umidade pelo menos 1 vez por semana, sobre um anteparo, uma placa de acrílico, plástico, madeira, vidro  ou cerâmica.
- Fonte de umidade (verduras – couve, almeirão, mostarda, repolho,…; cascas de frutas – banana, maçã,…; legumes – batata, chuchu, cenoura, mandioca)
- Tem-se utilizado também lamparinas com água e esponjas.
- Devem ser retiradas as sobras pelo menos duas vezes por semana para que não aparece mofo na caixa
- Uma criação em que não existe fornecimento de umidade produz em média uma geração/ano enquanto que com o fornecimento de umidade consegue-se seis gerações/ano, com larvas de porte muito maior
- A fecundidade é afetada pela umidade relativa. Em uma U.R. de 20% colocam uma média de 4 ovos cada uma mas em 65%., colocam uma média de 102 ovos.
- Os tenébrios tornam-se mais ativos entre 90 e 100 por cento de umidade relativa.
- Com o tempo será possíveis observar quanto que as larvas consomem nesse período, e quanto deverá ser colocada a disposição.

5 – Manejo Reprodutivo

- As larvas de farinha, como todos os besouros, submetem-se a uma metamorfose completa, passando pelos estágios de ovo, larva, pupa ou  crisálida e um estágio do besouro.

5.1 – Dimorfismo sexual

- Os besouros machos e fêmeas parecem ser semelhantes, mas um macho pode ser distinguido de uma fêmea pressionando o abdômen do inseto sob um microscópio. Um macho tem um órgão copulatório tubular duro, que é exteriorizado sob a pressão.

5.2 – Ciclo Reprodutivo

5.2.1 – Besouro

- Período no estágio: 2-3 meses
- Não há crescimento durante essa fase.
- O besouro quando emerge da crisálida é bege claro, escurecendo-se a vermelho, a marrom, e a finalmente preto após aproximadamente 2 dias.
- Têm feromônios do agregação, e preferem geralmente áreas escuras.
- Postura de cerca de 40 ovos diários. Iniciam a cópula 5 dias após se tornarem besouros.

5.2.2 Ovos

- Período no estágio: 1-2 semanas
- Os ovos são pegajosos e são depositados nas partículas frouxas do alimento.
- Os embriões para desenvolverem-se adequadamente necessitam absorver água do ambiente externo, especialmente nos primeiros dias, e as condições climáticas ótimas parecem ser 35° C, com umidade relativa de 75%.
- Postura: 250-500 ovos

5.2.3 – Larva
- Período no estágio: 2-3 meses.
- Possuem aproximadamente 3 milímetros de comprimento e 0,6g de peso no nascimento, e chegam até 15-20 milímetros de comprimento e 1,0-1,5g de peso.
- A larva jovem é branca, escurecendo com a idade. As larvas adultas são amareladas, cor de mel.
- Passam por aproximadamente 15 trocas de exoesqueleto na fase Larva.

5.2.4 Pupa

- Período no estágio: 1-2 semanas
- Pupas são brancas no começo, tornando-se amareladas com o tempo.
- São inativas. Não se alimentam ou movimentam, mas responderão ao toque fazendo movimentos dorso-ventrais ou circulares com o abdômen.

 6 – Comercialização

6.1 – Produtos

6.1.1 – Larvas Vivas

- Comercializadas a 3 centavos/unidade.
- Não vender larvas pretas junto com as normais, pela possibilidade de transmissão de doenças.

6.1.2 – Larvas resfriadas

- Colocar em recipientes com ração nova, ar e fonte de umidade. As larvas continuam a se alimentar, mesmo sob refrigeração.
- Refrigeração entre 0-5C.
- Podem permanecer em dormência por até 2 anos.

6.1.3 – Larvas congeladas

- As larvas podem ser mortas para armazenagem por congelamento. Se estiverem bem limpas e forem embaladas a vácuo, podem ser conservadas por meses.
- Insetos podem deteriorar rapidamente, como carne fresca deixada fora da geladeira. Mante-los sempre no congelador até o momento da utilização.
- Fervura pode aumentar a digestibilidade das larvas.
- As larvas podem ser colocadas em uma peneira de metal e devem estar sem corpos estranhos. Derramar água fervente, e em seguida, congelar (pasteurização)

6.1.4 – Larvas desidratadas

- Colocar as larvas sobre uma toalha de papel, numa forma de assar bolos. Utilizar temperaturas de cerca de 100-150C.
- Podem ser secas também em placas de desidratação solar de frutas.

6.1.5 – Farinha

- É feita a partir dos insetos desidratados, que são triturados em um processador.